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....Saramago....

"Gostava de saber a sua opinião sobre o seguinte comentário de José Saramago:
"À Igreja Católica importa pouco ou nada o destino das almas, o seu objectivo sempre foi controlar os corpos, e o laicismo é a primeira porta por onde começam a escapar-lhe esses corpos, e de caminho os espíritos, já que uns não vão sem os outros aonde quer que seja"
in Diário de Notícias a 4/6/2009"

Oi...
A minha opinião?!?!?! Ok. Vou tentar.
1. Temos de perceber quem é a pessoa que faz esta afirmação: um ateu activo e segundo aquilo que se percebe em vários escritos e entrevistas tem algum problema mal resolvido com a Igreja Católica.
2. Este primeiro ponto é essencial para perceber que o nosso Nobel, aproveita tudo aquilo que na Igreja é pecado para realçar e fazer crer que é a verdade suprema.
3. Depois destes dois pontos, digo que há muita coisa, na Igreja Católica, que entristece Deus, neste Domingo, escutamos Jesus dizer a Pedro: "Vai-te, Satanás...", sinal de que muitas vezes nós deixamos que a nossa humanidade vença a presença de Deus na nossa vida.
4. Naturalmente, que nós Católicos gostaríamos de ser perfeitos, mas não conseguir não quer dizer que não tentemos, e muitas vezes é neste "tentar" que as coisas descarrilam.
5. Saramago utiliza uma palavra que lhe "abre o flanco": laicismo. Aprende-se em qualquer cadeira relacionada com filosofia, que todos os "ismos" são maus, pois levam ao extremismo, por isso o laicismo é o extremismo de laicidade. Estamos de acordo: a Igreja Católica não gosta do laicismo, mas defende a laicidade...
6. Em conclusão, não me espanta que José Saramago defenda aquilo que escreveu, espanta-me ver tantos católicos que se dizem católicos e defendem aquilo que José Saramago diz...

Ser católicos é ter atitude crítica, não criticar tudo e todos. Sabemos que não somos perfeitos e que muitas vezes deixamos a nossa humanidade vencer a divindade que quer habitar a nossa vida.
Espero ter ajudado...
Abraços e beijos...

Comentários

Anokas disse…
Caro Pe. Joel,
Em relação a este assunto, limito-me a transcrever algo que li num artigo sobre o tema:
"Independentemente do que Saramago diz, o tempo que ele dedica a Deus mostra bem que, ao contrário do que o escritor propala, Deus existe. O grande problema dele é que Deus ocupa um espaço importante na sua cabeça e isso irrita-o militantemente, ou seja, ele não se consegue ver livre de Deus. Saramago é uma prova de que a Bíblia tem razão. Ele, como o salmista, bem pode confessar: ainda “se fizer no Sheol a minha cama, eis que Tu ali estás também.”

É Pascal que diz:
"Deus suficientemente revelado nas Escrituras para aqueles que o buscam de todo o coração e Deus suficientemente oculto nas Escrituras para aqueles que não o buscam de todo o coração."

Rezemos por Saramago.

Beijos da Anokas
Ana Paula disse…
Na minha muito modesta opinião, eu penso que ele gosta mesmo de Deus. Os livros dele demonstram isso, uma busca constante de Deus e um reencontro constante também , por vezes escrito de uma maneira cruel mas por vezes escrito de uma maneira até poética. Questiona-se mas valoriza-o.
No fundo penso que em muitos momentos da nossa vida temos um comportamento idêntico.
E cada um pode ter um relacionamento com Deus muito próprio. Digo eu.

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